Apreciados colegas:
O dia de hoje pode não atingir a grandiosidade dos demais na oferta de matérias susceptíveis de escárnio e maldizer. No entanto, gostaria, e na minha qualidade (ou defeito) de revoltada constante contra o sistema (e entenda-se sistema como toda e qualquer coisa que vá contra o meu próprio “sistema”), pretendo aqui fazer uma breve apreciação á senhora professora HD. Esta douta senhora veio recordar-me os saudosos tempos da Mocidade Portuguesa. Cada vez que entro na aula dela não consigo conter a minha enérgica vontade de saltar cadeiras enlevada num espírito infinitamente feliz, sorriso rasgado ao vento daquele ar condicionado que não funciona, e sentar-me; contemplar a excelentíssima HD, cantar um hino, rezar o Pai-nosso e assim então, em silêncio sepulcral, ouvir os seus ensinamentos. E assim permanecer o resto da aula, com a forte convicção de que, assim, a transmissão dos conhecimentos nunca poderá ser conspurcada pela pergunta de um aluno mais insurrecto, um burburinho desconcertante, um desvio ao assombro estupendo que é o tema da pneumologia/cardiologia.
Ora, tudo isto era maravilhoso se eu gostasse de saias às pregas, meias lanudas apertadas em torno do joelho, ou mesmo se acreditasse que o senhor da cruz me vai dar umas dicas manhosas sobre como vingar nesta profissão.
A verdade é que esta senhora deseja um “sistema” em que não podemos enquadrar-nos, uma vez que pretende uma comunicação unilateral, sob pena de perder o fio à meada, não conseguir concentrar-se (e juro que não quero induzir estes estados amnésicos em professores, tenho medo de entrar em mais despesas na escola) ou, pior que tudo, esbugalhar aqueles olhos que perpassam as nossas cabeças com um tom ameaçador (o que resultaria efectivamente mais que hipnotizar galinhas se ela não estivesse a procurar hipnotizar impulsos, vontades, seres pensantes).
Em suma, na minha qualidade humilde de estudante (ainda que revoltada) eu só queria aprender e que me ensinassem que a arrogância não é sinal de sabedoria. Ai espera, se calhar eu já sabia, e confundi-me toda nas aulas desta senhora.
Enfim, “aprender é a coisa mais inteligente que se pode fazer. Ensinar é um acto generoso mas, quando se limita à transmissão, é bastante mais estúpido.” (Miguel Esteves Cardoso).
O dia de hoje pode não atingir a grandiosidade dos demais na oferta de matérias susceptíveis de escárnio e maldizer. No entanto, gostaria, e na minha qualidade (ou defeito) de revoltada constante contra o sistema (e entenda-se sistema como toda e qualquer coisa que vá contra o meu próprio “sistema”), pretendo aqui fazer uma breve apreciação á senhora professora HD. Esta douta senhora veio recordar-me os saudosos tempos da Mocidade Portuguesa. Cada vez que entro na aula dela não consigo conter a minha enérgica vontade de saltar cadeiras enlevada num espírito infinitamente feliz, sorriso rasgado ao vento daquele ar condicionado que não funciona, e sentar-me; contemplar a excelentíssima HD, cantar um hino, rezar o Pai-nosso e assim então, em silêncio sepulcral, ouvir os seus ensinamentos. E assim permanecer o resto da aula, com a forte convicção de que, assim, a transmissão dos conhecimentos nunca poderá ser conspurcada pela pergunta de um aluno mais insurrecto, um burburinho desconcertante, um desvio ao assombro estupendo que é o tema da pneumologia/cardiologia.
Ora, tudo isto era maravilhoso se eu gostasse de saias às pregas, meias lanudas apertadas em torno do joelho, ou mesmo se acreditasse que o senhor da cruz me vai dar umas dicas manhosas sobre como vingar nesta profissão.
A verdade é que esta senhora deseja um “sistema” em que não podemos enquadrar-nos, uma vez que pretende uma comunicação unilateral, sob pena de perder o fio à meada, não conseguir concentrar-se (e juro que não quero induzir estes estados amnésicos em professores, tenho medo de entrar em mais despesas na escola) ou, pior que tudo, esbugalhar aqueles olhos que perpassam as nossas cabeças com um tom ameaçador (o que resultaria efectivamente mais que hipnotizar galinhas se ela não estivesse a procurar hipnotizar impulsos, vontades, seres pensantes).
Em suma, na minha qualidade humilde de estudante (ainda que revoltada) eu só queria aprender e que me ensinassem que a arrogância não é sinal de sabedoria. Ai espera, se calhar eu já sabia, e confundi-me toda nas aulas desta senhora.
Enfim, “aprender é a coisa mais inteligente que se pode fazer. Ensinar é um acto generoso mas, quando se limita à transmissão, é bastante mais estúpido.” (Miguel Esteves Cardoso).
1 comentário:
Cara colega, que magnifico discurso! Subscrevo, sublinho ou simplesmente releio, aponto com o rato (pq riscar o monitor n parece zelar pela sua saude..)e teço o meu comentário!Ui n vejo a hora em q esta "senhora-sistema" arrastará um "aluno-rebelde-ao-sistema" pra cima do "palco" e com ar de inquisidora lhe dará umas reguadas bem valentes (gritando "naughty student!" ah esquece isso era outro filme...)em tom de exemplo pra turma e pra TODA A SOCIEDADE!
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